Refúgio Biológico Bela Vista – Educação Ambiental em Itaipu

*Viagem de casal com criança de 6 anos em Janeiro de 2017.

O Refúgio Biológico Bela Vista é um passeio pouco comentado por quem vai visitar a Usina Hidrelétrica de Itaipu, mas é um dos passeios mais legais para quem curte trilhas leves e natureza. Um passeio muito didático e interessante sobre educação ambiental. Nós o visitamos em Jan/2017 e ficamos encantados com os projetos que eles possuem com foco na preservação das espécies da flora e da fauna da região.

SOBRE ITAIPU:

A Usina Hidrelétrica de Itaipu é uma usina construída e mantida metade pelo Brasil, metade pelo Paraguai e por isso é um construção Binacional. Ao passarmos pela guarita de entrada da Usina, entramos em um território que não é mais considerado brasileiro, mas sim, uma mistura dos 2 países. A coisa é tão bem dividida que até o número de funcionários da usina é dividido meio a meio entre Brasil e Paraguai. (Vou deixar para falar sobre a parte técnica da usina na postagem sobre a nossa Visita Panorâmica 😉 ).

Muita gente pensa que ir passear em Itaipu é simplesmente ver a usina (a barragem propriamente dita) e por isso abre mão desse passeio, achando que Itaipu “não tem nada para ver e fazer”, que seria tudo “muito técnico”.

O que essas pessoas não sabem é que a parte turística brasileira de Itaipu é administrada pela Turismo Itaipu e que existem nada menos que 7 passeios possíveis dentro dessa área. São eles:

  • Visita Panorâmica – ônibus panorâmico que nos leva a uma vista de perto e de vários ângulos da grandiosidade da barragem de Itaipu (fizemos);
  • Circuito Especial – passeio pelo interior da usina (proibido para menores de 14 anos por questões de segurança);
  • Refúgio Biológico – educação ambiental em meio a uma trilha com cerca de 50 espécies de animais e 960 gêneros de plantas (fizemos e está na continuação desse post);
  • Ecomuseu – uma volta ao passado com a história de Foz do Iguaçu e da construção da usina de Itaipu (fizemos);
  • Polo Astronômico – planetário e observatório em um único lugar para os curiosos sobre astronomia (fizemos);
  • Kattamaram – passeio de barco pelo lago de Itaipu apreciando toda a beleza em um passeio relaxante. Acontece em 3 horários e o mais especial é, sem dúvidas, o último horário onde podemos apreciar um lindíssimo por do sol! (fizemos);
  • Iluminação da barragem – os visitantes assistem ao acendimento de 747 refletores e 112 luminárias, num espetáculo de luz e som. Esse passeio só acontece às sextas e sábados.

Nós fizemos 5 desses passeios e farei posts sobre cada um deles 🙂 Horários dos passeios e valores, podem ser conferidos no site do Turismo Itaipu já que podem variar de acordo com a época do ano.

Além da parte turística brasileira, também é possível visitar a parte turística paraguaia com alguns passeios como o Museu de Itaipu Tierra Guaraní e o Refúgio Biológico Tati Yupi.
Nós não tivemos tempo para desbravar a parte Paraguaia de Itaipu. 😦

REFÚGIO BIOLÓGICO BELA VISTA

O Refúgio Biológico Bela Vista foi criado na mesma época da construção da Usina com o objetivo de resgatar e cuidar dos animais desalojados pela inundação do reservatório/lago da usina.

Após a etapa de inundação do reservatório, a parte de resgate desses animais deixou de ser necessária, passando o Refúgio Biológico a ser uma referência ambiental no sentido de conservação e preservação do ecossistema. Dentre outras funções, destacam-se o resgate e cuidado de animais que sofreram algum tipo de problema que os impeçam de voltar a viver livre na natureza. Existem, então, animais resgatados de maus tratos, tráfico, atropelamento, doenças, cativeiro, abandono… E a reprodução em cativeiro de animais ameaçados de extinção para posterior reinserção na natureza. Hoje o Refúgio Biológico é uma área de proteção ambiental e preservação permanente.

O passeio começa em um ônibus que sai do centro de visitantes de terça a domingo em 6 horários por dia: 8:30, 9:30, 10:30, 13:30, 14:30 e 15:30, sempre acompanhados por um guia. O passeio completo tem duração, aproximada, de 2 horas e meia (entre sair e retornar ao centro de visitantes).

O percurso do ônibus até chegar ao Refúgio Biológico leva aproximadamente 15 minutos.

No caminho passamos pelo Canal da Piracema, que é um canal artificial de 10 km criado para auxiliar os peixes a transpor a barragem na época da reprodução.

Ao chegarmos à área do Refúgio Biológico logo notamos que as construções seguem o conceito de arquitetura verde com telhado verde, que ajudam a economizar energia por auxiliar na manutenção da temperatura interna dos prédios, e fontes alternativas de energia. Além disso, notamos que todas as construções possuem revestimento de tijolinhos, evitando uso de pintura, já que as tintas são grandes contaminantes do meio ambiente.

O passeio propriamente dito começa com todos os visitantes plantando uma semente de árvore nativa para ajudar no reflorestamento da área, no que vem a ser o maior programa de reflorestamento do mundo feito por uma hidrelétrica.

Programa de Reflorestamento da Usina Hidrelétrica de Itaipu.

Em seguida, iniciamos a trilha, nesse momento ainda em estrada com calçamento, até o Portinho onde ficam os tanques de reprodução dos peixes, e aprendemos um pouco sobre os programas de agricultura familiar apoiados por Itaipu.

Tanques de Piscicultura do Refúgio Biológico Bela Vista

A partir desse ponto entramos na trilha do zoológico.

Trilha do Refúgio Biológico Bela Vista.

Mas não é um zoo comum, e sim um zoo com animais que por algum problema foram resgatados, cuidados e não se adaptam mais a vida livre, ou estão esperando sua plena recuperação para voltar à natureza. Encontramos, então, jaguatirica sem dentes, cachorro do mato cego, urubu que não voa, araras resgatadas de tráfico… Cada animal que lá se encontra possui uma história que justifica o fato de estarem hoje lá. Alguns estão lá não por estarem doentes, mas por fazerem parte do programa de conservação da espécie com reprodução em cativeiro para reinserção na natureza (a mata do Refúgio Biológico está interligada ao Parque Nacional do Iguaçu, em uma grande área verde preservada).

Alguns animais do Refúgio Biológico Bela Vista.

Sem dúvidas os 2 animais que mais chamaram a atenção durante o passeio foram os filhotes de harpia e a onça pintada (animal símbolo do refúgio).

A harpia é a maior ave de rapina da América Latina. E no Refúgio Biológico pudemos observar alguns filhotes dessa ave magnífica, com sua envergadura que pode chegar a medir 2 metros (de asa a asa).

Filhote de Harpia no Refúgio Biológico Bela Vista.

As harpias estão ameaçadas de desaparecimento da espécie devido ao desmatamento. São aves grandes que necessitam de uma grande área para se reproduzir. Essas harpias filhotes nasceram no Refúgio Biológico Bela Vista, que apresenta um dos maiores projetos de reprodução da espécie no Brasil, com o objetivo de reintrodução da espécie livre na natureza. Estão ainda em cativeiro pois são muito jovens e estão aprendendo a voar. O tamanho das garras dessas harpias filhotes me surpreendeu: são do tamanho de garras de urso!

Já a onça pintada, Valente, é um macho e foi encontrada abandonada, ainda bebê. Provavelmente a mãe foi morta por algum caçador. Como ainda era muito novinho para sobreviver sozinho, foi resgatado pelo Refúgio. Recentemente ganhou uma companheira, Nena, e já tiveram um lindo bebê, que ainda estava muito novinho e não tinha visitação liberada. O recinto das onças pintadas é separado do público por um vidro grosso que permite uma quase real aproximação do animal. Confesso que fiquei encantada de poder olhar olho no olho com um animal tão lindo e imponente.

Onça Pintada do Refúgio Biológico Bela Vista.

Um terceiro animal que nos chamou atenção, mas não pela sua beleza ou porte, e sim pela sua história fui um quati que saiu do Parque Nacional do Iguaçu para fazer uma cirurgia e nos exames pré-operatórios foi diagnosticado com colesterol alto e diabetes. Sabem o motivo? Os visitantes das Cataratas alimentam inadequadamente os quatis. Vimos, inclusive, quatis tomando refrigerantes por lá! Esse tipo de prática completamente irracional está pondo em risco a saúde dos bichinhos!

O passeio termina em uma trilha sem animais, mas com muitas árvores e plantas nativas, todas com placas informativas contribuindo para o aprendizado.

No fim, retornamos com o ônibus até o Centro de Visitantes, de onde saímos para um novo passeio, que logo, logo também estará aqui no blog. 🙂

Se quiser saber mais sobre Foz do Iguaçu, não deixe de ler nosso Roteiro de 8 dias em Foz do Iguaçu e dicas de 20 passeios pela região.

Continue acompanhando nossas séries de postagens sobre Foz do Iguaçu para descobrir ainda mais desse destino encantador. 🙂

*Gostaria de agradecer ao Turismo Itaipu pela cortesia no ingresso, mas ressalto que todas as opiniões, recomendações e sugestões são baseadas em experiência própria.
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19 comments

  1. Oi Aline! Esse foi o único passeio que não consegui fazer ainda em Itaipu! Um dia foi por conta do horário, no outro foi porque chovia demais e cancelaram (eu já tinha comprado online). Foi bom porque seu post está bem completo e pude ver online o que não vi in loco, he he he he…
    Eu amo harpia!!! Acho que vê-las seria a minha parte preferida do passeio…
    Parabéns pelo post!
    Beijos
    Carolina

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  2. Até hoje fico super triste quando lembro que no dia que eu tinha marcado para ir em Itaipu deu tudo errado e não consegui ir. Mas fico feliz de ter lido e viajado um pouquinho pra região aqui no teu post. As harpias são lindas demais, e os quatis são muito danadinhos!

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